Noite intranquila por mais uma insónia…
Deito-me e reviro-me na cama, acabando por me levantar e voltar para aqui para escrever e desabafar… Mas acabo por dar comigo a olhar para o vazio… com muitas palavras tuas a batucarem na minha cabeça! Ouço a tua voz!!
Acabo por me deixar abater por esta tristeza que me consome.
As nossas conversas parecem-me apáticas, carregadas de uma tristeza sem fim, muitas vezes, cheias de banalidades onde o amor já não tem força suficiente pois está fechado no peito, atacado pela solidão e pelo silêncio, mandado para o canto mais profundo e escondido, para que assim os dias não custem tanto a passar, a distância não nos mate de desespero e onde possa encontrar um refúgio seguro para que não perca o seu encanto, o seu brilho e a sua ternura…
Não me posso fazer fluir para ti, nem neste meu sentimento de amor que busca o teu ombro quando choro, os teus beijos e carinhos quando estou triste, que não encontra tranquilidade e que me faz desesperar, que está sedento das noites em que o teu corpo se junta ao meu, em que te posso ter próxima quando te quero amar e contemplar o teu sorriso, que partilho contigo os olhares silenciosos… em que sei que te amo e me amas e com quem sonho passar o resto da vida, sem dia nem local marcados para isso.
Este amor na distância, guardado assim no peito, impedido de ter forma, cor, cheiros e toques… enfraquece e afasta-nos, nestas partilhas tão ilusórias dos nossos quotidianos, realidades e vivências tão diferentes… é a mais clara evidência que do vai surgindo lentamente, e que começa a delinear os contornos de uma realidade triste e que custa aceitar, que faz sofrer… mói!
Sinto que, por vezes, não compreendes o que sinto e relativizas os meus sentimentos, contrarias as minhas conclusões, repreendes as minhas atitudes, discordas das minhas palavras, me dizes que exijo demais de ti e que tu não mo podes dar, me perguntas se não estiveste bem comigo… e com estes pensamentos fico…
O tempo, o silêncio, a ausência, afasta-nos espiritualmente uma da outra, mata lentamente a unidade que sempre procurei fazer contigo… desgasta as pedras que sustentam o mundo que temos tão nosso… estraga a união da tua alma com a minha… corrompe um amor, já de si, frágil, por todas as vissicitudes que lhe são impostas, e carente que precisa das gotas diárias de carinho, do fogo sentido, para morrer no silêncio, no vazio, no teu e meu cansaço, deixando ficar para trás situações que deviam ser conversadas e que não o sendo vão minando o que nos une…
Abro-te a minha alma e os meus pensamentos, falo contigo e pareço maçar-te com os meus desabafos e tristezas que rotulas de criticas veladas ou (im)pertinentes, que antes até me pedias e dizias ajudarem-te a ser melhor, e despertavam em ti ternura. Agora tudo o que diga esbarra no nosso cansaço… mói-nos a alma porque acaba por não ser dito e se vai acumulando.
Tento confortar-te e espero pelo teu conforto nesses momentos de tristeza profunda, mas a única coisa que me dizes é “Por Deus!”, dando-me a entender que estou a ser demasiado dramática, ou que “está tudo bem” ou “já passou”, palavras seguidas por suspiros intermitentes que saem do teu coração… algo cansado de me ouvir. E eu vou desistindo de te dizer o que sinto, cada vez mais, porque te respeito, porque sei que tens muitas preocupações na tua mente que te deixam exausta ao fim de cada dia.
Mas todos nós temos os nossos limites e a minha resistência vai-se esvaindo quando chego a um ponto em que me sinto invadida por uma tristeza muito grande em não conseguir ultrapassar os nossos desentendimentos, cada vez mais frequentes, porque a Vida egoista assim o impõe. E acabamos por silenciar aquilo por que as nossas almas gritam… pela nossa paz interior, pela harmonia, pela alegria do nosso bem-estar!
Tenho medo da apatia que sinto na minha alma… como se a distância, o teu silêncio e a tua tristeza estivesse a inundar-me, lentamente, tornando tudo mais vazio… num processo, lento e moroso, de defesa para não sofrer nem fazer sofrer mais, sofrimento esse que nos “gela” por dentro, e que tu questionas se não terá abalado a base de entendimento que existia antes…
Queria falar contigo sobre tudo isto, mas não consegui… Queria fazer voltar os dias em que o meu coração batia diferente e não consigo… Desespero para que me entendas e não consigo… E tu, pressentindo-o, ainda tentas sossegar-me e dizes-me, com a voz embargada, que me amas. Mas, depois de alguns minutos ou horas, já nada é igual… só suspiras e, embora sabendo que, muitas vezes, também o fazes pelo cansaço de lidar com tantos problemas e pela correria com que a tua vida decorre, de novo calas o que sentes, com receio que surja, outra vez, o tema circular e repetitivo dos meus sentimentos, que eu teimo em não guardar para mim no silêncio ensurdecedor das noites em que eles me assaltam e não me deixam dormir…
Sabes, há momentos em que não consigo falar… fico desanimada… confusa… revoltada comigo mesma… insegura… moída… tentando perceber porque passas de gestos de carinho extremo, que exprimes por palavras escritas ou ditas, para a ausência quase total de sentimentos de ternura com que muitas vezes me trataste e nos quais me mostraste doçura e paixão na forma com que os pronunciavas…
Sabes? Não quero mais nada de ti! Apenas, e usando as palavras que um dia me disseste, por mensagem, quando te perguntei o que querias de mim … “que me ames para o resto do teus dias!”
Guardarei essa frase no meu coração para sempre!
É a tradução perfeita do que eu quero e sempre quis desde o inicio: AMAR-TE ATÉ AO FIM DOS MEUS DIAS.
Vou-me moldando, vou mudando, fazendo o meu caminho, lentamente… é uma metamorfose porque tenho de passar para crescer… mas tenho o meu ritmo próprio… não sou perfeita, erro e assumo os meus erros, magoo e peço perdão, sou magoada mas também perdoo… dou-me como posso e me é permitido. Tu dás-te da mesma forma… eu sei e sinto-o.
Busco o teu olhar a sorrir para mim, fazendo-me acreditar num amor verdadeiro e ímpar, desejo os teus beijos doces que me fazem tremer de desejo, paixão e excitação, que me aquecem, preciso que os teus braços me agarrem com força enquanto fazemos amor, quero o teu peito onde costumo repousar a cabeça para ouvir o teu coração bater.
Disseste sempre que, atendendo às condições em que aceitamos viver este amor, devemos reter e viver cada momento como se fosse único. Mas não deveriam esses momentos ser cada vez mais intensos, na partilha? Foste tu própria que mo disseste, um dia, quando estávamos a fazer amor, que no amor devíamos partilhar tudo, de olhos arregalados a olhar para mim.
Não me ilibo de culpa, também a tenho… Mas para mim, sobra sempre a esperança, aquela esperança de poder viver com alegria e não com tristeza, com aquele amor que sempre esperei encontrar e vi em ti, com aquela força que sempre procurei dar e se calhar não soube transmitir, como aquele sonho no qual eu quero voar, mas que agora sinto fecha as asas… se dilui no meio destas incertezas todas.
“Queria tocar-te pelo menos uma vez na vida!”
Será que te cheguei a tocar? Sim, tenho a certeza que sim! Tocámo-nos!
Não sei amar-te de outro jeito, apenas sei que te amo. Não consigo deixar de te amar.
Como tal, deixo-te um pedido que sai do fundo do meu coração: se encontrares por aí, algo perdido e triste, aquele amor que encontrei e vi em ti, que quero que faça parte de mim para o resto da minha vida, aquela que eu sei que, apesar de tudo, me ama e que viu em mim um porto seguro, que sentiu que eu a tornava mais coesa e mais pura, então POR FAVOR diz-lhe o quanto a quero, o quanto a amo.